Por Sitri Silas
Uma das coisas mais latentes entre a ligação entre batistas e anabatistas é sua herança teológica. Os distintivos batistas (demonstrados pelo acróstico BATISTA) são os que nos caracterizam e diferenciam enquanto identidade única dentro do cristianismo. E estes são resultado da ascendência anabatistas e nossa herança histórica.
A distinção que temos enquanto batistas é oriunda do famoso acróstico abaixo:
Bíblia única regra de fé e prática.
Autoridade de Cristo como único cabeça da Igreja.
Todos membros batizados e regenerados.
Imersão (batismo) e Ceia: as duas ordenanças.
Separação entre Igreja e Estado e da heresia (disciplina).
Trabalho eclesiástico em dois ofícios: diácono e pastor.
Autonomia da igreja local.
Todos estes acima são prova contundente de nossa ligação, além de ser uma lembrança de que, mesmo antes do que podemos chamar de movimento batista moderno, nossos distintivos estavam sempre presentes na história da igreja.
A Bíblia como Única Regra de Fé e Prática
Uma das primeiras características que fluem do ensino batista é a Escritura como única regra de fé e prática. Esta também foi uma asserção dos anabatistas, inclusive foi esse princípio que levou tanto anabatistas quanto batistas, a rejeitarem o batismo infantil e batizarem apenas os que confessam a fé (o que lhes custou muito sangue), e ambos os grupos aceitaram da tradição apenas aquilo que vinha da Escritura. Dentro do espectro anabatista podemos facilmente traçar esse distintivo. Mennon Simons, famoso teólogo anabatista, disse:
“Não ouso ir mais alto ou mais baixo, [ser] mais rigoroso ou mais brando que a Escritura e o Espírito Santo me ensinam, e isso por grande medo ou preocupação da minha consciência, para não sobrecarregar de novo os homens tementes a Deus, que agora renunciaram aos mandamentos dos homens, com esses mandamentos. Eu odeio a opinião e conceitos próprios humanos, e nem os desejo, pois sei que tribulação e aflição me causaram por anos.”1
Como um anabatista, Simons cria que toda autoridade, ordem e mandamento deveria vir, não da Tradição, nem de qualquer autoridade humana; somente pela palavra de Deus. Isso não era um pensamento solitário de um anabatista; Baltasar Hubmaier, talvez o teólogo anabatista mais prolífico, afirmava que na questão de doutrina,
“tudo se julgue em suas consciências de acordo com a Palavra de Deus. Permita que Ele seja o Mediador e Juiz e você não se desviará.”2
Poderíamos citar, na mesma linha de pensamento Pilgram Marpeck, Hans Deck, Michael Sattler, e tantos outros; mas esses excertos já são suficientes para demonstrar que os anabatistas tinham um forte pensamento a respeito da Bíblia como única regra de fé e prática; inclusive, eram mais radicais nisso que os próprios teólogos da Reforma Protestante.
Esse distintivo foi herdado pelos batistas, de ambos grupos (Gerais e Particulares), e está expresso em seus escritos e nossas confissões. A primeira confissão de fé Batista moderna, em 1611, já afirma que:
“as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento foram escritas para nossa instrução (2Tim 3:16), e que devemos buscá-las pois testificam de CRISTO (10:5, 39). E, portanto, devem ser utilizadas com total reverência, como contendo a Santa Palavra de DEUS, a qual é a nossa única guia para o que quer que seja.”3
No mesmo caminho a confissão de fé de 1644 diz que:
“A regra deste conhecimento, fé e obediência, relativos ao culto e serviço a Deus, e todos os outros deveres cristãos, não são invenções, opiniões, dispositivos, leis, constituições ou tradições não escritas de homens, sejam quais forem, mas apenas a Palavra de Deus contida nas Escrituras Canônicas.”4
Outras confissões que seguem o mesmo forte pensamento anabatista de Sola Scriptura, são a Confissão de Fé Batista de 1660 (Standard Confession), que diz:
“Que as Sagradas Escrituras são a regra pela qual os santos, tanto em matéria de fé como de conduta, devem ser regidos.”5
E, para finalizar, a famosa Confissão de Fé de Londres de 1689, que diz:
“A Sagrada Escritura é a única regra suficiente, certa e infalível de todo conhecimento, fé e obediência salvíficos.”6
Podemos citar vários excertos anabatistas e confissões batistas demonstrando a nossa herdade distintiva no tocante a autoridade única e final da Escritura sobre as matérias de fé e prática das nossas igrejas.
Todos os Membros Batizados e Regenerados
Um outro distintivo que nos coloca em ascendência com os anabatistas e nos afasta dos católicos romanos e católicos reformados é a formação da igreja. Aqui temos uma diferença discrepante entre os que os grupos anabatistas defendiam – e seus eventuais sucessores – e o que católicos romanos e católicos reformados afirmavam. Em primeiro lugar, a igreja não era um local de participação voluntária, devido à aderência ao pensamento agostiniano-católico de ambas com a relação igreja e Estado (veremos mais adiante); as pessoas já nasciam “dentro” da igreja estatal. Os anabatistas – e consequentemente os batistas – viam a igreja como uma comunidade voluntária, cuja formação deveria se assemelhar o mais fiel possível à igreja invisível, tendo como inserção do indivíduo na igreja a prática justamente do batismo.
Esse ponto é facilmente relatado nos escritos anabatistas, até porque era uma das causas da perseguição sofrida por eles e pelos batistas em sequência. A Confissão de Fé Valdense de 1544** afirma que a igreja recebe aqueles que
“previamente professam e fazem declaração de nossa fé e [demonstram] mudança de vida.”7
No documento anabatista confessional chamado “Ridemann’s Rechenschaft” afirma que:
“Uma assembleia de filhos de Deus que se afastam de todas as coisas impuras é a igreja. É uma comunhão; tem sido, e, é mantida pelo Espírito Santo. Pecadores não podem ser membros a menos e até que se arrependam de seus pecados.”8
Outros teólogos anabatistas, como Mennon Simons e Baltasar Hubmaier seguiram esta mesma linha de pensamento; era algo, de fato, uníssono entre anabatistas: a igreja era formada por crentes voluntários e batizados, sob confissão de fé (regenerados).
Como batista, talvez seja até repetitivo e familiar para muitos de nós esses distintivos; mas para aquela época, eram algo único dos anabatistas e herdados pelos batistas. No âmbito batista a confissão de fé de 1611 declara:
“Que a Igreja de Cristo é uma corporação do povo fiel (1Cor. 1:2; Ef. 1:1), separado do mundo pela palavra e Espírito de DEUS (2Cor. 6:17) e unidos ao SENHOR e uns aos outros pelo Batismo (1Cor. 12:13). Sob sua própria confissão de fé (At. 8:37) e pecados. (Mat. 3:6).”9
Perceba a identificação e semelhança com o pensamento anabatista; não tem qualquer coisa parecida entre a teologia católica romana e a teologia católica reformada. Uma outra Confissão Batista, de 1651 (A Fé e Prática das Trinta Congregações), dizia:
“Subscrevemos que […] aqueles que receberam a palavra de Deus pregada pelo Ministério do Evangelho, e foram batizados segundo o conselho de Deus, ao mesmo tempo ou dia eram da igreja visível de Deus.”10
Mais uma vez em sintonia com as demais confissões batistas e com a herança distintiva anabatista.
Imersão (batismo) e Ceia: duas ordenanças
Essa talvez seja a questão mais controversa entre os distintivos batistas e a herança anabatista. Mas temos que destacar que a controvérsia repousa sobre o modo do batismo, que é apenas uma parte do entendimento dessas duas ordenanças. Ao contrário das asserções católicas romanas e católicas reformadas, o batismo, na visão anabatista e batista, deveria ser ministrado aos que professam a fé e não aos infantes (bebês); nessa questão a teologia católica romana e católica reformada eram concordantes (embora por motivos diferentes). A Ceia também teve sua ruptura; havia uma noção sacramental da ceia (e do batismo também) na teologia católica romana e católica reformada; no entanto, os batistas foram mais pela visão memorialista, a qual era consonante com a doutrina anabatista. Em suma, tanto a visão do batismo quanto da Ceia do Senhor, dos batistas, é oriunda da herança anabatista.
Batismo
O batismo talvez seja o ponto de conexão mais óbvio e mais controverso entre batistas e anabatistas. Não tanto pela questão do batismo de crente, um ponto pacífico entre os mesmos, mas pela forma de batismo. Aqui nós devemos fazer um breve esclarecimento: os anabatistas não eram um grupo no sentido de ser uma unidade de igrejas que se reconheciam, muitos nem sabiam da existência de outros, embora quando eventualmente dois membros de grupos diferentes se encontravam, costumava haver certa familiaridade e aceitação, em outro ponto, a perseguição, a marginalidade e a dificuldade de “comunicação” podem explicar porque a forma de batismo não era uníssona entre os grupos anabatistas. Dito isto, podemos passar a questão sobre o batismo, e ver a herança dos batistas nesse aspecto em dois quesitos: o batizando e a forma.
Primeiramente o candidato ao batismo, ou o batizando, sempre foi tido, tanto na era anabatista quanto nos sucessores, como alguém que voluntariamente confessa a fé cristã. Os próprios nomes com que foram designados ambos: anabatistas e batistas, já aponta essa característica como um distintivo entre ambos. Como de praxe, o batismo na igreja católica e reformada abandonou o modelo neotestamentário, e ambas batizavam bebês, fazendo com que pessoas fossem inseridas como membros de uma igreja, com sua eventual consequência de mundanização da igreja e sacralização do Estado. O batismo infantil, resultado da autoridade doutrinária da tradição e da junção da igreja e Estado, fora rejeitado sempre pelos anabatistas e batistas como um falso batismo, em detrimento do verdadeiro batismo neotestamentário, o dos que confessam a fé em Cristo, Hubmaier, o teólogo anabatista já dantes citado, afirma que “[…] deve haver uma confissão de fé, ou testemunho, através do qual irmãos e irmãs se reconhecem, pois a fé só existe no coração”11, em consonância com esse pensamento a confissão de fé anabatista chamada confissão de Schleitheim de 1527 diz que:
“O batismo será dado a todos aqueles que aprenderam o arrependimento e a mudança de vida, e que creem verdadeiramente que seus pecados foram levados por Cristo, e a todos aqueles que andam [segundo] na ressurreição de Jesus Cristo, e desejam ser sepultados com Ele na morte, para que ressuscitem com Ele, e a todos aqueles que com este pensamento nos pedem e o exigem para si [o batismo]. Isso exclui todo batismo infantil, a maior e principal abominação do papa. Nisto você tem o fundamento e o testemunho dos apóstolos. Mt. 28, Mc. 16, Atos 2, 8, 16, 19. Isso desejamos manter com simplicidade, mas com firmeza e segurança.”12
É bem interessante perceber como qualquer batista subcreveria cada palavra dessa confissão anabatista. Poderíamos citar por ora alguns artigos de confissões anabatistas que qualquer batista igualmente concordaria como a Confissão de Fé Waldense (art. 7), o documento Ridemann´s Rechenschaft (art. 4), a Confissão de Fé Waterlander (art. 16), isso sem contar obviamente os escritos de Pilgram Marpeck, Mennon Simons, Wilhelm Reublin, Felix Manz, Hans Deck, Hans de Ries, etc, e ainda todos as confissões anabatistas que citam a questão do batismo. De fato, a revelia do pensamento reformado e católico sobre o batismo, os anabatista mantiveram o pensamento bíblico sobre o batismo, seguindo o modelo neotestamentário, uma grata herdade aos batistas.
Dentro do ambiente batista, é até repetitivo abordarmos esse distintivo, é praticamente nossa base identitária. Mas como deve-se aqui demonstrar historicamente nossa herança, tem-se que expor, pelo menos alguns exemplos, de confissões batistas sequentes ao pensamento anabatista. A primeira confissão de fé batista de Londres diz que o batismo “é uma Ordenança do Novo Testamento, instituído por Cristo, a ser concedido apenas a pessoas que professam a fé, ou que são Discípulos, ou ensinados, os quais, sob uma profissão de fé, devem ser batizados”13, seguindo o mesmo raciocínio a Confissão de Fé Padrão de 1660 diz que “ …a única e correta maneira de formar Igrejas (de acordo com a ordem de Cristo, Mat. 28. 19, 20.) é primeiramente ensinar ou pregar o Evangelho, Marcos 16. 16. aos Filhos e Filhas dos homens; e então batizar (que em inglês é mergulhar) em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, ou em nome do Senhor Jesus Cristo; somente os que professam arrependimento para com Deus e fé para com nosso Senhor Jesus Cristo, Atos. 2. 38. Atos 8. 12. Atos 18. 8.”14, e todas confissões batistas praticamente afirmam o mesmo ensino, de que os que devem ser batizados são os salvos.
Por outro lado o modo do batismo sempre foi algo mais conflituoso, pelo menos na questão histórica. Infelizmente muitos usam essa questão para tentar, de forma equivocada e falsa, desvincular os batistas dos anabatistas. Alheio a essas questões, tem-se aqui, em termos de herança histórica, um fato: o batismo por imersão não veio, obviamente, das teologias católica e reformada, essas não dão ênfase no modo do batismo, embora via de regra prefiram a prática da aspersão. E assim então, permanece a questão: de onde surge a imersão como modo de batismo? Seja por um lado ou por outro, veremos que os anabatistas batizavam sim por imersão, embora devido ao contexto persecutório em que se encontravam geralmente dificultava esta prática, e que influenciaram esse modo de pensar o batismo dentro do âmbito batista.
Os anabatistas tinham um costume testemunhado por seus detratores sobre o batismo, em 1523 um livreto anabatista denominado Sum of the Holy Scripture de língua alemã e traduzido por Simon Fish em 1529 para o inglês afirmava que “As águas do batismo não tiram nossos pecados como se fossem águas preciosas… nós somos mergulhados na água… prometeu fazer quando somos batizados e tem o mesmo significado para nós, somos mergulhados na água”15, veja bem que o batismo é mergulhar na água. Além desses, temos ainda, para citar por agora, o testemunho de um luterano e um católico sobre o batismo por imersão dos anabatistas. Primeiramente o luterano Johannes Kessler (1503–1574), em uma obra compilada sobre crônicas da Reforma Protestante denominada Sabbata, mais precisamente numa obra chamada Gerchichte der Taufe (História do Batismo) afirma que Conrad Grebel batizava por imersão, no caso aqui um ex monge chamado Wolfgang Ulimann (? – 1528), que se tornou líder dos anabatistas, ele diz que Ulliman, quando batizado por Grebel teria sido imergido: “Wolfgang Uolimann, na sua viagem para Schaffhausen, encontrou Conrad Grebel, o qual o instruiu tão fortemente no conhecimento anabatista que ele não foi aspergido com um prato, mas foi mergulhado e coberto pelas águas do rio Reno”16, mais uma vez corroborando a prática do imersionismo, agora por um dos pastores mais influentes do movimento anabatista da época da Reforma. Ainda seguindo nesses testemunhos temos o bispo católico L’Abbe Fleury que em sua obra sobre história da igreja afirma: “Foi a chamada heresia dos anabatistas, porque este nome foi atribuído a tal seita… como muitos deles deram esse nome [batismo] a esse fato, mergulhar de novo na sagrada fonte, por isso eram chamados Anabatistas”17, mais uma vez testemunhando sobre a imersão dentro dos anabatistas. Poderíamos também citar os anabatistas conhecidos como Collegiants (de origem remonstrante e dissidências dos menonitas), já citados como os que levaram a imersão a igreja de Jessey (igreja que deu origem a primeira igreja batista particular), dentre outros exemplos de relatos de batismos em rios com o modo da imersão. E também há algo a se destacar aqui, os anabatistas eram condenados e mortos com, geralmente, o chamado “terceiro batismo”, que consistia em executar a pessoa mergulhando-a num rio com pesos e correntes, modo com o qual foi, por exemplo, morto Felix Manz pelo governo reformado em Zurique afogado no rio Limmat18.
É também muito familiar para todos que os batistas são reconhecidos por sua posição firme quanto a imersão, e também são um dos que fortemente rejeitam outro modo de batismo. No início do movimento batista moderno, assim como dentro do âmbito anabatista, o modo do batismo foi relegado a um segundo plano, mas isso também não significa que foi ignorado por algum tempo. Na verdade já foi citado aqui a preocupação com o modo do batismo que levou a igreja de Jessey a comissionar alguém para obter o batismo por imersão dos anabatistas holandeses denominados Collegiants. Dito isso nós devemos em primeiro lugar perceber qual modo de batismo era praticado entre os que, junto com os anabatistas, deram origem aos batistas modernos. É importante ressaltar que muitas informações são desencontradas nessa época, mas temos como refazer algumas a partir de testemunhos. O batismo de John Smyth foi sempre tido como algo nebuloso, até que no final do século 19 foi encontrado, em uma capela em Crowle, extratos que traziam a seguinte afirmação sobre o batismo de John Smyth:
“16 de Março de 1606. Esta noite, a meia noite, o líder John Murton batizou John Smyth, vigário de Gainsborough, no Rio Don. Estava tão escuro que eles foram obrigados a levar tochas acesas. Líder Brewster orou, Sr. Smyth fez uma boa confissão; andou até Epworth em suas roupas frias, mas não teve nenhum problema. A distância era mais de duas milhas. Todos seus amigos estavam presentes. O Deus Trino seja louvado”19
Este relato, por vezes, foi tratado com desdém devido ao testemunho de um batismo num rio de John Smyth, provavelmente por imersão devido ao uso de roupas “frias”. Mas temos outros testemunhos da mesma época sobre a imersão dos batistas, primeiramente podemos citar Vavasor Powell (1617 – 1670), o qual foi batizado afirmando que “As águas do batismo são solenes, significam imergir dentro, ou a lavagem do corpo com água no nome do Pai, [do Filho e do Espírito Santo] (Mt. 28:19). Significa a morte, o sepultamento e ressurreição de Cristo, também a limpeza espiritual e lavagem da justificação e regeneração ou santificação”20. Um último exemplo da imersão entre os primeiros batistas está em Leonard Busher, um membro da igreja batista de Hewlys e Smyth, mas que aderia as questões soteriológicas particulares (batista particular), geralmente lembrado pela defesa batista da separação entre Igreja e Estado (veremos a seguir), mas “esquecido” na questão do batismo por imersão. Busher afirma, na sua obra Religious Peace or a plea for liberty of conscience de 1614 que “Cristo ordenou aos seus discípulos a ensinar a todas as nações, e batizá-los, isto é, pregar a palavra da salvação para toda criatura de toda sorte de nação que são dignas e desejam recebê-la. E então recebendo-a desejosamente e alegremente, Ele comandou batizá-los na água, isto é, imergir para a morte na água”21, Busher era membro da Igreja Batista comandada por Thomas Hewlys (como vimos considerada a primeira igreja batista moderna), não é difícil concluir que o batismo por imersão já estava presente na igreja de Hewlys.
O batismo por imersão era já praticado entre os batistas, embora não difundido, desde sua ascendência anabatista, fora difundido de fato em meados de 1640, se tornando de vez um distintivo dos batistas, mas estava presente desde sua origem.
Separação da Igreja e Estado
Esse distintivo talvez seja o mais importante num sentido histórico e cultural, não somente devido ao claro ensino neotestamentário da separação que Deus faz entre o magistrado e o pastorado, mas também da liberdade resultante deste distintivo e da contraposição a ele feita pelos inimigos dos anabatistas e batistas (católicos e reformados). Este distintivo está intrinsecamente ligado a questão da voluntariedade da Igreja, pois o batismo infantil e a junção da Igreja e do Estado faziam com que todos os nascidos em certo local ou país fossem automaticamente colocados dentro da igreja estatal, fosse essa católica ou reformada. Dentro desse contexto, a ideia de batismo e membresia dos crentes (ou seja só de pessoas confessas e supostamente regeneradas) defendida pelos anabatistas e posteriormente pelos batistas, estava no núcleo do problema da liberdade de consciência e de crença e obviamente na separação total da Igreja e do Estado.
Com esse contexto, observamos que o batismo só de crente não era algo somente neotestamentário, bíblico e correto, mas também algo que levou a benefícios para toda a sociedade ocidental. Claro que hoje em dia, a maioria dos católicos e reformados até concordam com certa separação entre Igreja e Estado, mas não foi sempre assim, o que justifica toda a perseguição empreendida contra batistas e anabatistas, e denuncia a nossa herança separatista, não católica muito menos reformada, mas anabatista. Iremos ver, a partir de agora, a defesa anabatista e batista dessa separação, passando pelos teólogos e confissões anabatistas, chegando nos pioneiros batistas.
O primeiro anabatista a se destacar é Menno Simons, na época a igreja oficial era “empurrada” nos cidadãos, e Simons indagava sobre a interferência do Estado na Igreja “Onde você, em todos os dias da sua vida, leu nas Escrituras apostólicas que Cristo ou os apóstolos usaram o poder do magistrado contra aqueles que não ouviram sua doutrina ou obedeceram as suas palavras?”22, e afirmava categoricamente que “[a fé] não pode ser empurrada no homem pela força externa da espada”23. O teólogo anabatista Baltasar Hubmaier publicou a obra Sobre Os Hereges e Aqueles Que Os Queimaram, um marco na defesa da liberdade de crença e de consciência, onde ele rejeita a ideia geral na época de católicos e reformados de perseguir e matar aqueles que discordavam de suas doutrinas (os “hereges”), e nesta obra ele afirma sobre o Estado e a Igreja que “O poder [secular] julga os criminosos, mas não os ímpios, que não podem condenar o corpo e a alma, ao invés disso, eles são um benefício, pois Deus, em sua sabedoria pode extrair o bem do mal”24, pode nos parecer bem óbvio, mas em 1524, ano que a obra foi escrita, o pensamento geral desde o século IV era de que o Estado deveria dar cabo das questões da Igreja.
Além dos teólogos anabatistas, as confissões anabatistas também separavam o papel do Estado e seus ofícios do papel da Igreja e seus ofícios. A confissão de Schleitheim afirmar sobre que “ …a espada foi ordenada para o castigo dos ímpios e para sua morte, e a mesma [espada] é [agora] ordenada para ser usada pelos magistrados seculares. Na perfeição de Cristo, no entanto, apenas o banimento é usado para uma advertência e para a excomunhão daquele que pecou, sem matar a carne – simplesmente a advertência e a ordem para não pecar mais.”25, outra asserção anabatista sobre essa separação, demonstrada pela não intromissão do governo em assuntos doutrinarios e vice-versa. Fora estes poderíamos citar Pilgram Marpeck, Dirk Phillips, Kilian Aurbacher, etc.
Dentro do contexto batista nós temos fartos exemplos da herança separatista dos anabatistas nesse assunto. Pra começar o considerado primeiro pastor batista moderno Thomas Hewlys afirma que “O rei é um homem mortal e não Deus imortal, portanto ele não tem poder sobre as almas imortais de seus súditos, nem para fazer leis e ordenanças [espirituais] para eles e constituir líderes espirituais sobre eles”26, separando o poder religioso do poder estatal, isso num contexto inglês, onde na época o chefe político (o rei) também era o chefe religioso (no caso da Igreja Angicana). Na mesma época o companheiro de Hewlys, Leonard Busher também escreveu sua obra contra a junção de Igreja e Estado e empurrar e obrigar alguém a alguma religião, na sua obra Religious Peace, A Plea For Liberty Of Conscience (A Religião da Paz, Um Apelo Pela Liberdade de Consciência), obra esta marcane na defesa da liberdade de religião e de culto, Busher afirma que “ …pelo fogo e pela espada, constranger príncipes e o povo a receber uma religião verdadeira do Evangelho, é totalmente contrário a mente e lei misericordiosa de Cristo e um meio retardar o reino de Cristo e fazer avançar o reino do anticristo”27, em contraposição a toda defesa entre esta junção dos reformados e católicos e em consonância com a herança anabatista desse pensamento. Ainda no mesmo século, Roger Williams, famoso fundador da primeira igreja Batista nos Estados Unidos em Rhode Island, grandemente influenciado por John Morton (pastor que sucedeu Hewlys e escreveu um tratado em defesa da liberdade de religião juntamente com Busher), também fez um tratado sobre a liberdade de religião, Roger Williams sofreu nos Estados Unidos perseguição religiosa, principalmente por parte de puritanos (reformados), e sabendo da importância da liberdade religiosa e rejeitando a perseguição que sofreu, escreveu a obra The Bloudy Tenent of Persecution for Cause of Conscience (O Princípio Sangrento da Perseguição Por Causa da Consciência), nela Williams afirma que “É a vontade e ordem de Deus, que (desde a vinda de seu Filho, o Senhor Jesus) uma permissão aos mais pagãos, aos judeus, aos turcos ou as consciências anticristãs e cultos, seja concedida a todos homens em todas as nações e países, e eles são combatidos unicamente com isso: A Espada que é única, em assuntos da alma, capaz de conquistar, a saber, a Espada do Espírito de Deus: a palavra de Deus.”28. Não somente isso, na província de Rhode Island, sob a égide de Williams e John Clarke nasceu a primeira legislação mundial no Ocidente que preservava a liberdade de crença, de consciência e de religião. No documento emitido em 1663 devido aos apelos de Clarke pela Coroa Inglesa afirma que “Nenhuma pessoa de dentro da referida Colônia, em qualquer momento posterior [a este], será molestada, punida, pertubada ou questionada, por quaisquer diferenças de opinião, em questões de religião, desde que não perturbe a paz de nossa referida Colônia; mas que toda e qualquer pessoa e todas as pessoas possam, de tempos em tempos, e em todos os tempos a partir de agora, livre e plenamente ter e desfrutar de seus próprios julgamentos e suas consciências, em questões de interesse religioso, em toda a extensão de terra mencionada anteriormente, se eles se comportarem pacificamente e tranquilamente e não usarem essa liberdade para licenciosidade e profanação, nem para injúria civil ou perturbação exterior a outros.”29. Veja bem a importância dessa herança anabatista e distintivo batista para toda a nossa sociedade moderna.
As nossas confissões também seguem pelo mesmo caminho, a confissão de Fé Batista de 1644 afirma sobre os magistrados e a igreja que “nunca devemos nos submeter a eles ativamente em algumas leis eclesiásticas, as quais eles podem presumir ser seu dever estabelecer. Isso não é perceptível no presente, nem a isso nossa consciência poderia submeter-se; ainda assim, somos obrigados a sujeitar as nossas pessoas às vontades deles.”30, e mais adiante “E, assim, desejamos dar a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César e a todos os homens aquilo que pertence a eles, esforçando-nos sempre para ter uma consciência pura em relação a Deus e ao homem.”31, a Confissão de Fé de 1660 também vai no mesmo sentido afirmando “Que é a vontade e desejo de Deus (nestes tempos evangélicos) que todos os homens tenham a liberdade de suas próprias consciências em questões de religião ou adoração, sem a menor opressão ou perseguição, simplesmente por causa disso; e que para qualquer autoridade agir de outra forma, acreditamos confiantemente que é expressamente contrário à mente de Cristo, que exige que tudo o que os homens gostariam que outros fizessem a eles, eles deveriam fazer aos outros (Mt. 7:12). e que o joio e o trigo cresçam juntos no campo (que é o mundo) até a colheita (que é o fim do mundo) (Mt. 13:29,30, 38, 39).”. Poderíamos citar várias e várias outras confissões de fé que estão em acordo com esse distintivo, mas essas são suficientes para demonstrar a herança da defesa anabatista de separação entre Igreja e Estado.
Trabalho eclesiástico em dois ofícios: diácono e pastor
Uma outra questão sobre a identidade batista está ligada ao distintivo referente a liderança eclesiástica da igreja local. Derivando da questão da autonomia da igreja local (que veremos a seguir), a questão da liderança eclesiástica é um separador de católicos e reformados da tradição anabatista. Enquanto as duas primeiras tinham geralmente três ou mais ofícios, e todos com, alguma sujeição ou liderança sobre o pastor, quando não uma cadeia de hierarquia que por vezes subia até um local centralizador (um colegiado ou um chefe, religioso ou mesmo de Estado), a tradição anabatista herdada pelos batistas entendia diferente esse esquema.
Os anabatistas tinham na verdade uma liderança tripla, com a figura do pastor/bispo, do pregador/mestre, e os diáconos. Aqui temos uma interessante questão: embora a liderança fosse tripla em nada se parecia com o modelo episcopal ou presbiteriano (de católicos e reformados), na verdade a função de pregadores e mestres era tão somente de ensino, como se fosse um “professor de ebd” atualmente, estes eram preparados para substituir o pastor/bispo em caso de prisão ou morte (o que ocorria frequentemente dentro do contexto persecutório que se encontravam)32. No entanto, por outro lado, os pastore/bispos tinham as funções idênticas a de um pastor/bispo batista, eles administravam as ordenanças, eram responsáveis pela vida espiritual da congregação e todos deveres de um pastor atual. Enquanto isso os diáconos tinham os serviços de auxílio aos bispos/pastores, assim como servir a ceia, atentar para a necessidade dos pobres, assistir os bispos/pastores na visita aos enfermos, etc. Não havia um terceiro ofício de liderança eclesiástica, seja um presbtério, sobre o pastor, seja de um sínodo ou colegiado interno ou externo, sobre a congregação, isso sem contar que muitos anabatistas não tinham três ofícios e somente reconheciam dois (como os anabatistas celtas)33. Este modelo foi o que influenciou o modelo e distintivo batista dos dois ofícios eclesiásticos. Aqui deve-se fazer uma observação: as confissões de fé anabatistaspré batistas e escritos dos teólogos anabatistas não trazem muito detalhe sobre a questão em si de quantos ofícios se deveria ter na igreja, foi então uma questão mais desenvolvida, embora com vários aspectos herdados dos anabatistas, dentro da teologia batista.
Entre os batistas os ofícios de pastor e diáconos podem ser vistos desde os primórdios. John Smyth, um dos primeiro batistas moderno, afirmava já em sua confissão de fé que “Os ministros da Igreja não são apenas os bispos (“Episcopos”), a quem é dado o poder de ministrar a palavra e os sacramentos, mas também a diáconos, homens e viúvas, que cuidam das necessidades dos pobres e doentes”34, deixando então claro estes dois ofícios na igreja local. Um pouco mais pra frente Thomas Hewlys também concorda com esse pensamento quando, na primeira declaração de fé Batista moderna, diz que “Ministros de cada igreja ou congregação são, ou Presbíteros, cuja função é especialmente alimentar o rebanho, concernente às suas almas (At. 20:28, I Pe. 5:2-3) ou diáconos, homens e mulheres, cuja função é socorrer as necessidades dos irmãos pobres e impotentes, concernentes aos seus corpos (At. 6:1-4)”35, junto a Smyth corroborando com esse distintivo batista. Mais a frente a confissão de fé de 1660 também adere ao pensamento dos dois ofícios36, declarando a resposanbilidade de cada um e para finalizar a confissão de fé de Londres de 1689 afirma que “Uma igreja local, reunida e completamente organizada de acordo com a mente de Cristo, consiste de oficiais e membros. Os oficiais designados por Cristo serão escolhidos e consagrados pela igreja congregada. São eles os anciãos (ou bispos) e os diáconos”37, e até hoje os dois ofícios na Igreja da liderança permanecem como características conhecidas dos Batistas.
Autonomia da Igreja Local
Voltando ao contexto da ascensão anabatista e início do movimento batista moderno, no tocante ao governo eclesiástico havia um padrão em católicos e reformados, além da óbvia junção de Igreja e Estado. Este era um padrão que seguia o caminho da interferência externa na igreja local, tanto no âmbito reformado (com governos sinoidais, conciliares, presbiterianos, etc) como no católico (com governo monárquico ou episcopal, de hierarquia até chegar ao papa), mesmo Zwinglio, influenciado nas ideias eclesiásticas pelos anabatistas da Irmandade Suiça, rogou interferência governamental quando traiu seus colegas anabatistas. Obviamente não herdamos essas noções de governo de nenhum dos dois grupos acima. Nossa herança anabatista pode ser traçada pelas ideias da autonomia da igreja local e exclusão de qualquer governo extra eclesiástico, além disso também herdamos a noção congregacionalista, onde o poder repousa na assembléia de membros da igreja, não em líderes externos ou concílios.
Os anabatistas tinham uma ideia muito forte da liberdade de crença e de consciência, tendo então desenvolvido a cultura do voluntariado na participação da igreja e concomitantemente a isso a liberdade da igreja local em relação a outras igrejas, para eleger líderes, punir seus membros, enviar pregadores e etc. Esta crença é expressa em vários documentos anabatistas, sobre a autonomia da igreja local ela é vista na escolha dos seus pastores, uma confissão anabatista diz que “[o pastor] será sustentado pela igreja que o escolheu”38, demonstrando a autonomia da escolha dos líderes, essa ideia é seguida por outros documentos anabatistas como a famosa Disciplina Na Igreja (Ordnung der Gemein, wie ein Christ leben soll)39 e também na Confissão de Dordretch40. Ela é vista também na questão disciplinar dos membros, a citada Disciplina na Igreja diz que “quando um irmão ou irmã leva uma vida desordenada, será punido: se o fizer publicamente [ele] será gentilmente advertido diante de todos os irmãos (Gal.2,6; I Cor.5; II Tess.3); se for secreto, será punido em segredo, de acordo com o mandamento de Cristo (Mt.18).”41
O pensamento congregacionalista foi uma herança anabatista, tanto para os batistas até mesmo grupos mais influenciados pela Reforma, como congregacionais e zwinglianos.
1 SIMONS, Mennon. A Fundamental And Clear Confession (1552) [Uma confissão fundamental e clara] Elkhart, Indiana, 1871, John Funk and Brother. Disponível em: <http://www.mennosimons.net/ft112-conclusion.html>. Acesso em 10/08/2022.
2 PIPKIN, H. Wayne.; YODER, John Howard. Balthasar Hubmaier, Scottdale, PA: Herald Press, 1989, p. 99
3 HELWYS, Thomas. A Declaration of Faith of English People Remaining at Amsterdam in Holland [Uma declaração de fé do povo inglês que permanece em Amsterdã, na Holanda], 1611, art. 23.
4 Confissão de Fé Batista de Londres, 1644, art. 7.
5 A Brief Confession or Declaration of Faith[Uma Breve Confissão ou Declaração de Fé]. Londres, Elephant & Castle, 1660, art. XXIII.
6 Confissão de Fé Batista de Londres, 1689. Cap I, item 1.
7 Waldensian Confession of Faith, 1544, art. 7.
8 Ridemann’s Rechenschaft, Doctrine of the Church and the Spirit [Doutrina da Igreja e do Espírito], 1540.
9 ibid. 27, art. 10.
10 The Faith and Practise of Thirty Congregations [A Fé e Prática das Trinta Congregações, 1651, Londres, art. 50.
11 ibid. 26, p. 127.
12 Michael Sattler, The Schleitheim Confession Of Faith apud The Mennonite Quarterly Review, XIX, 4, Outubro, 1945, 247-248.
13 ibid. 28, art. 39.
14 ibid. 29, art. 11.
15 Sum of The Holy Scripture, Simon Fish (trad.), 1529, British Museum. 4401, b. 2.
16 Johannes Kessler, Sabbatta, II, 266, apud Gerchichte der Taufe, p. 184.
17 L’Abbe Fleury, Historiae Ecclesiastiscs XXXIV, 282.
18 Henrich Bullinger, Reformationsgeschichte, vol. II, 382.
19 Henry Martyn Dexter, The True History of John Smyth The Se-Baptist, 1881, p. 66.
20 Edward Bagshaw, The life and death of Mr. Vavasor Powell, that faithful minister and confessor of Jesus Christ wherein his eminient conversion, laborious successful ministry, excellent conversation are faithfully recorded for publick benefit, Londres, 1671, p. 35-41.
21 Leonard Busher, Religious Peace, A Plea For Liberty Of Conscience, Londres, 1614, ed. 1646 p. 27.
22 Mennon Simons, The Complete Writings of Menno Simons, c. 1496-1561, trad. Leonard Verduin, ed. J. C. Wenger. Scottdale, PA: Herald Press, 1956, p. 726.
23 ibid. 46, p. 605.
24 Baltasar Hubmaier, Concerning Heretics and Those That Burn Them, trad. Steve Gregg, 1524, 24.
25 ibid 36, art. 6.
26 Thomas Hewlys, A Short Declaration Of The Mystery Of Iniquity apud Joe Early Jr., ed., The Life and Writings of Thomas Helwys. Macon, GA: Mercer University. Press, 2009, p. 156.
27 ibid 45, p. 17.
28 Roger Williams, The Bloudy Tenet Of Persecution, 1644, Prefácio.
29 William G. Goddard, Address To The People Of Rhode-Island, Delivered In Newport, On Wednesday, May 3, 1843, In Presence Of The General Assembly, On The Occasion Of The Change In The Civil Government Of Rhode-Island, By The Adoption Of The Constitution, Which Superseded The Charter Of 1663. Providence: Knowles And Vose, Printers. 1843.
30 ibid. 28, art. 49.
31 ibid. 28, art 52.
32 Leadership and Authority in the Life of the Church (Mennonite Church, 1981). Global Anabaptist Mennonite, http://www.gameo.org/encyclopedia/contents/L42.html. acesso em 24/09/2022.
33 Minister Ordination In The Celtic Anabaptist Communion, disponível em http://www.celtic-anabaptist-ministries.com/cac_ordination, acesso em 24/09/2022.
34 John Smyth, Short Confession Of Faith In 20 Articles, 1609, art. 16.
35 ibid. 27, art. 20.
36 ibid. 29, art. XV e XIX.
37 ibid 30, Cap. 26, item 8.
38 ibid 36, art. V.
39 Ordnung der Gemein, wie ein Christ leben soll, 1527, art. V.
40 The Dordretch Confession, 1632, art IX.
41 ibid 63., art. III.





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