Por Thieleman Janszoon van Braght.1

Sobre a Conversão de Pedro Valdo e a ascensão dos Valdenses

M. Matias Flácio Ilírico [(1520-1575)]2, escreve:

Por volta de 1.160 d.C., vários dos principais cidadãos de Lion estavam juntos, conversando sobre vários assuntos, como é costume na temporada de verão, na Itália e na França. Enquanto estavam assim juntos, um deles de repente caiu no chão e expirou, diante de seus olhos.

Esta terrível ocorrência, um exemplo da mortalidade do homem e da ira divina, aterrorizou um deles, a saber, Pedro Waldo, um homem muito rico. Ele começou a refletir e resolveu (impulsionado, sem dúvida, pelo Espírito Santo) arrepender-se, emendar sua vida e ser mais diligente no temor de Deus do que tinha sido até então. Ele, portanto, começou a distribuir esmolas generosamente e em tempos convenientes, para colocar sua casa e a outros que vinham a ele, em boa mente, e para admoestá-los ao arrependimento e à verdadeira piedade.

Quando, por algum, ele assim havendo procedido muito bem aos pobres, e estando se tornando cada vez mais zeloso em aprender, bem como em ensinar aos outros, as pessoas também vinham a ele cada vez mais; ele, portanto, começou a apresentar a eles, não suas próprias ideias, mas as Sagradas Escrituras, e a expor e explicar as mesmas na língua francesa comum.

Mas o bispo e os prelados, que, como Cristo diz, têm a chave do céu, e ainda assim não entram eles mesmos, nem deixam outros entrarem, ficaram muito aborrecidos que este homem iletrado e comum (na opinião deles), trouxesse as Sagradas Escrituras para a língua vernácula, e as expusesse, e que já grandes números vinham à sua casa, aos quais ele instruía e admoestava.

No entanto, ele estava muito empenhado em promover tanto a honra de Deus quanto a salvação dos homens; e o povo estava tão ansioso pela palavra de Deus, que, nas igrejas, não era pregada pura, nem publicamente, que eles não podiam ser afastados pela ordem desses fariseus e sumo-sacerdotes papistas; portanto, tanto o ensinador quanto os ensinados disseram que se deve obedecer a Deus antes que aos homens.

Valdo, portanto, resolveu, apesar das ordens dos ímpios, sustentar os cristãos famintos não apenas com sua vida temporal, que, devido à distribuição liberal, diminuía dia a dia, mas também com a palavra de Deus e boas instruções e admoestações; e uma vez que os prelados, por tirania e decretos nada cristãos, buscavam suprimir e exterminar a pregação simples e verdadeira da palavra de Deus, razão suficiente foi dada a Valdo e seus adeptos, para indagar mais diligentemente sobre a religião e as intenções dos padres, e falar mais ousadamente contra eles.

A disputa com os padres se tornou mais prolongada e violenta; mais confusões e superstições na religião papal foram descobertas e atacadas. Nessa época, Valdo também leu, em vernáculo, certos testemunhos dos escritos dos pais, com os quais ele defendeu o seu próprio testemunho, não apenas com as Sagradas Escrituras, mas também com os testemunhos dos antigos, contra os inimigos da verdade.

Quando o bispo com seus fariseus e escribas papistas viram com que constância Valdo e seus adeptos ensinavam a palavra de Deus, e ficaram aflitos, que a sua própria infâmia, ignorância e inconstância na doutrina, e outros absurdos, foram atacados por Valdo e seus seguidores, os excomungaram a todos. Não muito tempo depois, percebendo que também pela excomunhão eles não poderiam ser dissuadidos de seu propósito, eles os relegaram à miséria, perseguiram-nos com prisão, espada e fogo, e os trataram mui atrozmente, a fim de que pudessem ser compelidos, por conta da angústia e perigo existentes, a se deportarem de Lion e se dispersar em vários países.

É presumível que as congregações de Valdo, ou algumas delas, a quem ele ensinou em Lion, ficaram lá por quatro ou cinco anos, até que foram totalmente expulsas daquela cidade; pois Valdo era um homem de habilidades poderosas, e é dito que tinha muitos parentes, e, portanto, não poderia ser controlado ou suprimido num piscar de olhos; além disso, ele não atacou imediatamente, no início, os padres do Papa.

Finalmente, essas pessoas piedosas foram atacadas com grande fúria, por toda a cristandade; eles foram enviados aqui e ali pelos inquisidores; pelo que temos que agradecer àqueles lobos atrozes que andam em pele de cordeiro e se chamam monges.3

Claude de Rubis relata que Valdo e seus seguidores foram completamente expulsos de Lion; enquanto Albert de Capitaneis afirma que eles não puderam ser expulsos inteiramente. Não conseguimos apurar mais nada sobre essa primeira perseguição, exceto que os Valdenses, assim chamados em homenagem a Valdo, depois de escaparem de Lion, o seguiram e então se dispersaram, em diferentes grupos, em vários países.4

Nota. — Pedro Blesensus, um homem culto, bem conhecido por seus escritos, ensinou, em 1.167 d.C., que Roma era a verdadeira Babilônia sobre a qual João profetizou; que os oficiais da corte romana eram verdadeiras harpias, e os sacerdotes, verdadeiros bezerros de Betel, sacerdotes de Baal, ídolos egípcios, e que em Roma tudo podia ser obtido por dinheiro.5

Por volta de 1.170 d.C. — Para o ano de 1.160, oferecemos um relato de Pedro Valdo e sua conversão, bem como de ter trazido muitos que estavam na escuridão do papado, para a luz do santo Evangelho. É dito sobre essas pessoas, em doutrina, fé e vida, que eram como os apostólicos, dos quais fizemos menção para o ano de 1.155, e declaramos que eles se opunham ao batismo infantil, ao purgatório, etc. A ascensão dessas pessoas, chamadas Valdenses e Albigenses, é fixada por volta de 1.170 d.C., ou seja, dez anos depois que Pedro Valdo começou a ensiná-los; cujos assuntos serão tratados mais completa e circunstancialmente.6

Nota. — Parece, por vários escritores antigos, que os valdenses, ou, pelo menos, pessoas que tinham a mesma crença, existiam muito antes do ano de 1.170, sim, antes de 1.160; visto que já no ano de 1.160 eles tinham aumentado a tal ponto, que foram convocados a Roma diante de um Sínodo, e foram condenados lá como hereges obstinados.7 O mesmo ocorreu em 1.164 d.C., no sínodo de Tours8. Portanto, quando seu início é fixado em 1.170 d.C., isso não deve ser entendido como sua origem, mas como sua ascensão, progresso e maior prosperidade.

Sobre a Dispersão e os vários nomes dos Valdenses, ou seguidores de Pedro Valdo

Quando Pedro Valdo com seus adeptos, através do ódio cruel dos papistas, teve que deixar a cidade de Lion, por conta de sua fé, eles se distribuíram e se espalharam em diferentes partes do mundo e, portanto, receberam várias denominações, com relação aos lugares onde residiam, bem como com relação à sua fé e às acusações feitas contra eles, especialmente pelos romanistas.

Em History of the Waldenses [História dos Valdenses]9, o seguinte relato é encontrado dos vários nomes dessas pessoas:

Eles, em primeiro lugar, os chamavam de valdenses, em homenagem a Valdo, que era cidadão de Lion; e, em homenagem ao distrito de Albi, eles os chamavam de albigenses.

E porque aqueles que aderiram à doutrina de Valdo, deixaram Lion, despojados de todos os meios humanos, tendo que deixar para trás a maior parte de seus bens, eles foram chamados de forma irônica, de Os Pobres Homens de Lion.

Em Dauphine eles eram, por meio de escárnio, chamados de Chaignards, isto é, Cães.

Também porque uma parte deles cruzou os Alpes, eles foram chamados de Transmontani.

Em homenagem a Josefo, um dos discípulos de Valdo que pregou no bispado de Dije, Baixo Dauphine, eles foram chamados de Josefistas.

Na Inglaterra eles foram chamados de Lollardos, em homenagem a Lollardo, um dos que pregaram lá.

Em homenagem a dois pais, Henrique e Esperão, que ensinaram a doutrina de Valdo em Languedoc, eles foram chamados de Henriquenses e Esperonistas.

Em homenagem a Arnoldo, um de seus pastores ou mestres, que pregou em Albigeois, eles foram chamados de Arnoldistas.

Na Provença, eles eram chamados, em uma língua desconhecida, de Siccars.

Na Itália, eles eram chamados de Fratricellii, isto é, Irmãozinhos, porque viviam como irmãos em verdadeira unidade.

Além disso, como não observavam nenhum outro dia de descanso ou feriado, além do domingo, eram denominados de Insabbathi ou Insabbathas, isto é, os Sem Sábado, ou os Não Observadores dos Sábados.

Porque estavam continuamente sujeitos a, e passavam por sofrimentos, eram chamados de Patarins ou Patariens, isto é, Sofredores, da palavra latina pati, sofrer.

Porque eles, como pobres andarilhos, fugiam e viajavam de país para país, eram chamados de Passagenes, isto é, Viajantes ou Vagabundos.

Na Alemanha, eram chamados de Gazares, que significa, Amaldiçoado, e, Abominável; mas assim o Papa de Roma sempre foi acostumado a chamar aqueles que se opõem à fé romana.

Em Flandres, eles eram chamados de Turilupini, isto é, Moradores com Lobos, porque, por conta da perseguição, eles eram frequentemente obrigados a se esconder e viver em áreas selvagens e florestas, em estreita proximidade com lobos.

Às vezes, eles eram nomeados de acordo com a região ou distrito onde viviam, como Albigenses, de Albi; Toulousianos, de Toulouse; Lombardos, da Lombardia; Picardos, da Picardia; Lionistas, de Lion; Boêmios, da Boêmia.

Posteriormente, a origem e a causa dos ditos nomes, de acordo com Jean Paul Perrin Lyonnois, que observou o mesmo, são explicadas por D. Balthasar Lydius10, no qual a verdadeira inocência e retidão do dito povo, embora às vezes fossem chamados de nomes ruins, é demonstrada com toda a simplicidade e clareza.

Mas para que nada falte aqui, nós, para informação adicional, anexaremos vários outros nomes dos Valdenses, ignorados por B. Lydius (de J. P. Perrin), mas mencionados por Abr. Mellinus11, e alguns deles, explicados mais detalhadamente. Pois, entre outras coisas, ele escreve ali, que essas pessoas também eram “chamadas de cátaros, isto é, hereges, porque eram chamadas de hereges por seus oponentes.

Eles eram chamados de Publicanos, porque eram comparados pelos romanistas a publicanos ou pecadores abertos.

Da palavra latina lolium, que significa erva daninha, eles eram chamados de Lollardos; embora, como dito acima, esse nome também lhes fora dado por Lollardo, um mestre; no entanto, eles foram comparados ao lolium, uma erva daninha que cresce entre o milho, porque eles, (os papistas disseram) deveriam ser arrancados como o joio do meio do milho; esse nome, eles também mantiveram na Alemanha, em Sarmatia, em Livonio, etc.

Eles eram chamados de Runcari porque viviam perto de Runcalia, não muito longe de Piacenza.

Eles eram chamados de Barrini, do Monte Barrio ou Barian, um lugar no distrito de Crema, na Itália. Também de Cotterellos, porque viviam nas montanhas conhecidas como Alpes Cócios. Eles também eram chamados de Comistas, porque viviam na cidade de Como, na Itália.

Na Alemanha eles eram chamados Grubenheimer, isto é, moradores das cavernas, porque a necessidade os obrigava a viver no subsolo, em fossos e cavernas.

Na França eles eram chamados de Texerantes, isto é, Tecelões, porque havia muitos tecelões entre eles.

Esses e outros nomes semelhantes foram dados aos valdenses em tempos passados; julgamos necessário mencionar brevemente, para que os leitores, na sequência de nossa história, sempre que essas ou outras pessoas semelhantes forem mencionadas, possam saber quem eram e de que crença eram.

Sobre os Valdenses que em todos os aspectos eram da mesma crença com os Batistas (também chamados de Anabatistas); de quem falaremos ao longo de nosso relato

Embora Pedro Valdo, de quem os valdenses derivaram seu nome, tenha sido inflamado com um verdadeiro zelo pela verdade divina e evangélica; sim, de modo que no começo muitos, por meio de sua doutrina e vida, queimaram como com um fogo do céu, e eram zelosos com ele por Deus e pela verdade pura; ainda assim, nem todos permaneceram firmes na verdade; o que parece ter sido causado por terem sido dispersos em diferentes países e se separado uns dos outros, por causa das perseguições.

Alguns também eram chamados de valdenses, embora não tivessem comunhão com eles, e nunca foram verdadeiros irmãos com essas pessoas.

Outros, embora já tivessem sido membros daquela igreja, se uniram a outras, abandonando assim, seja por medo da morte, ou por alguma outra razão, sua antiga confissão, especialmente no artigo sobre a mansidão e a paciência de Jesus.

Outros, apesar de preencherem cargos mundanos, sim, até mesmo envolvidos em guerras, eram às vezes, embora perversamente, como será mostrado no lugar apropriado, chamados de valdenses ou albigenses; apenas (como pode ser inferido) pela razão de que alguns valdenses ou albigenses viviam sob sua proteção, que eram tolerados por conivência ou de outra forma apoiados por eles.

Portanto, passaremos superficialmente sobre todos quantos há evidências de que apenas tinham o nome de valdenses, mas não eram tais de fato; e nos voltaremos para aqueles sobre os quais a história antiga testemunha que eles confirmaram o nome pela prática, tanto na fé quanto na doutrina.

Sebastian Franck12 escreve que os valdenses foram divididos em duas, ou, como alguns sustentam, três divisões, uma das quais, em todos os pontos, mantinha os mesmos princípios com os anabatistas (batistas), tendo todas as coisas em comum. Eles não batizam crianças e não creem de forma alguma na presença do corpo do Senhor no sacramento. Um pouco antes disso, ele diz:

“Eles não invocam santos ou criaturas, mas somente Deus. Eles não juram de forma alguma, sim, eles consideram isso impróprio para um cristão. Eles também não têm imagens e não se curvam diante delas nem as adoram. Eles alegam que o sacramento não deve ser adorado, mas Cristo, à direita de seu Pai e Deus, em Espírito e em verdade. Eles não toleram mendigos entre eles, mas ajudam e auxiliam uns aos outros como irmãos.”13

Estes são os verdadeiros valdenses, a quem escolhemos, e que serão o objetivo de todo o nosso relato.

Como os Valdenses foram chamados de Anabatistas pelos próprios Romanistas

Isto foi afirmado por Jacob Mehrning em diferentes partes, depois de ele ter declarado, sobre o testemunho de escritores antigos, que eles eram chamados pelos nomes peculiares daqueles que já eram anteriormente denominados de Anabatistas. Ele afirma14 que:

De Berengário, eles eram chamados berengarianos; de Pedro de Bruis, Petrobrussianos; de Henrique, de Henriquenses; dos apóstolos, de Apostólicos; de Pedro Valdo, de Valdenses, e assim por diante. Entre nós, de alemães.

Ele escreve:15

os pedobatistas papistas, luteranos e calvinistas ainda os chamam desdenhosamente de Anabatistas; na Holanda eles são chamados de Menistas, de Menno Simons, um de seus principais mestres.

Assim, de acordo com este testemunho, os antigos valdenses concordavam na fé não apenas com Berengário, Pedro Bruis, Henrique Tholossanus, e os Apostólicos, dos quais já demos um relato antes; mas também com os menonitas ou batistas dos dias atuais, que por quase todo o resto na chamada cristandade são estigmatizados com a desdenhosa denominação de anabatistas, assim como seus antigos irmãos, os valdenses acima mencionados, eram chamados por aqueles de quem estavam separados, a saber, os papistas.

Nas páginas 677 e 678, esses valdenses são várias vezes chamados de anabatistas, com a declaração de que muito antes da época de John Huss, eles viviam na Polônia e na Boêmia, bem como na França, como é observado naquela parte.16

É verdade que por alguns dos ditos autores papistas essas pessoas são representadas de uma forma muito ruim, com relação à sua fé, bem como à sua vida; no entanto, o escritor da História do Batismo refuta tal representação, dizendo17 que eles foram caluniados por seus acusadores, e que na doutrina e na vida eles eram cristãos muito pios, ortodoxos e piedosos.

Embora pudéssemos parar aqui, visto termos provado suficientemente, que os antigos valdenses eram um povo com os batistas dos dias atuais, ainda assim, uma vez que este é um ponto muito atacado, adicionaremos, para confirmação adicional, mais alguns testemunhos de escritores papistas. O abade Pedro Cluniacense, no primeiro artigo de Pedro Bruis e Henrique Tholossanus, faz menção à crença dos valdenses, e diz que

eles (com os ditos dois homens) negaram que crianças nos anos de sua irracionalidade podem ser salvas pelo batismo de Cristo, e sustentaram que a fé de outro não pode ajudá-los, porque eles não podem usar sua própria fé.

Portanto, eles disseram:

Embora as crianças sejam batizadas pelos papistas, ainda assim, uma vez que não podem crer, sua infância as impede, elas não são de forma alguma, salvas pelo batismo. Mas escolhemos um tempo adequado de fé, e não rebatizamos os homens, como é alegado contra nós, uma vez que eles conhecem seu Deus, e estão preparados para crer nele; mas então os batizamos corretamente, para que não se diga que são corretamente batizados, aqueles que, embora batizados na infância, não são batizados com o batismo pelo qual o pecado é lavado.

Isto os valdenses costumam dizer, diz o escritor.18

O escritor da História do Batismo faz os seguintes comentários sobre século XII, dos Magdeburg Centuries [Séculos de Magdeburgo]:19

Sobre a origem dos valdenses, que surgiram de Pedro Valdo, Mileno relata tudo o que foi apresentado acima por Flácio. Daí veio que todos os seus discípulos, seguidores e adeptos eram naquela época chamados de anabatistas pelos maliciosos papistas; e também, os Homens Pobres de Lion, de cujo nome eles não precisavam se envergonhar por amor a Cristo, que também, por nossa causa, se tornou pobre, para que por meio de sua pobreza ele pudesse nos tornar ricos. Mas quando eles subsequentemente, por perseguição, se dispersaram da França para outros países, como Inglaterra, Polônia, Livônia, etc., outros nomes foram dados a eles.20

Aqui é expressamente declarado que os valdenses, desde os tempos antigos, eram designados pelos papistas pelo nome de anabatistas; sem dúvida, porque eles batizavam aqueles que tinham sido batizados em sua infância novamente, ou, pelo menos, corretamente, depois, quando eles tinham alcançado a fé; pois essas são palavras dos próprios valdenses, como foi mostrado acima. Além disso, que o dito povo foi espalhado da França não apenas para a Inglaterra, Polônia e Livônia, mas também para muitos outros países, sim, quase por todo o mundo conhecido, foi previamente provado em parte, e será doravante, se necessário, demonstrado ainda mais completamente.

Baptist History [História Batista]21 dá evidências de Bernhard, de que os valdenses eram anabatistas, como os ímpios agora chamam os batistas cristãos (os batistas), que não criam no batismo infantil.

É certamente dito evidente e claramente que os valdenses eram anabatistas, ou, pelo menos, que eram chamados por esse nome; a razão pela qual também é mostrada, a saber, porque eles, como os batistas dos dias atuais, não criam no batismo infantil.

Jacob Mehrning, tendo notado que os valdenses eram chamados anabatistas, diz:22

Mas seu nome correto, próprio e verdadeiro é, e deve ser, pelos direitos, cristãos e batistas cristãos; porque eles, de acordo com o mandamento e a ordenança de Cristo, não batizam ninguém, exceto aqueles que, de acordo com a ordenança batismal de Cristo, conhecem a Cristo por meio de seu santo Evangelho, creem nele e, com base nessa fé, são corretamente batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

  1. Publicado originalmente em holandês, em 1660; BRAGHT, Thielem J. Van. The Bloody Theatre or Martyrs Mirror of the Defenseless Christians who baptized only upon confession of faith, and who suffered and died for the testimony of Jesus, their Savior, from the time of Christ to the year A. D. 1660 [O Teatro Sangrento ou Espelho dos Mártires, dos cristãos indefesos que batizaram somente mediante confissão de fé e que sofreram e morreram pelo testemunho de Jesus, seu Salvador, desde a época de Cristo até o ano de 1660 d.C.]. Elkhart, IN: Mennonite Publishing Company, 1936. pp. 275-279. Parte I. Relato do santo batismo no século XII. ↩︎
  2. Em seu Catalog. Testitum Veritatis, entre fol. 263 e fol. 277, de acordo com Jac. Mehrning em Bapt. Hist., p. 601. ↩︎
  3. Bapt. Hist., pp. 601-604, de Matias Flácio Ilírico. ↩︎
  4. Balthas. Lydius, History of the Waldenses [História dos Valdenses], impresso em Dortrecht, em 1624. Livro 1. Parte 1. Cap. 1, Pág. 3, Col. 1, de Claud. de Rub. Hist., p. 269. Albert de Cap., book of the origin of the Waldenses [Livro das Origens dos Valdenses], p. 1. ↩︎
  5. Chron. van den Onderg., p. 479, col. 1, de Merula, fol. 767. ↩︎
  6. Comparar Bapt. Hist., p. 599, com Nietigh., p. 85; também, Introduction to the Martyrs Mirror [Introdução ao Espelho dos Mártires], fol. 50, col. 1, 2 (embora a ascensão principal dessas pessoas, esteja fixada lá em 1.176 d.C.), de Bar. em Chron., 1176 d.C., num. 1, 2, 3. ↩︎
  7. Johan. de Oppido. ↩︎
  8. Bapt. Hist., p. 676. ↩︎
  9. History of the Waldenses, por D. Balthasar Lydius, Livro 1, parte 1, cap. 3, pag. 4, col. 2, e pag. 5, col. 1. ↩︎
  10. Em seu tratado Various names of the Waldenses [Vários nomes dos Valdenses], cap. 3 de Perrin, da pág. 48, col. 1, à pág. 82, col. 2. ↩︎
  11. Em sua History of the Persecutions and Martyrs [História das Perseguições e Mártires], de 1619 d.C., fol. 449, col. 3, 4, por erro de impressão, mas, corretamente, fol. 439, col. 3, 4. ↩︎
  12. Em Chron. van de Ord. en Sect. der Rom., fol. 153, col. 3. ↩︎
  13. Veja a respeito deles, em [Seb. Franck, Chron. Rom. Ketter, fol. 121, col. 2. Introduction [Introdução], p. 50, col. 2. H. Mont. Nietigh., p. 86, Jac. du Bois contra Montanum, p. 158. ↩︎
  14. Bapt. Hist., p. 666. ↩︎
  15. pp. 695, 696. ↩︎
  16. De Hagecus, Dubravius, Micchovius, Cromerus, Jacob Usserius, Jounetus, M. Glaneus, Édito de Keyser de Car. ↩︎
  17. p. 679, de M. Flaccius e Cent. Magd. ↩︎
  18. Bapt. Hist., p. 687. ↩︎
  19. Magdeburg Centuries [Séculos de Magdeburgo], pp. 428, 429. ↩︎
  20. B. H., p. 695. ↩︎
  21. Bapt. Hist., p. 710. D. Vicecomes (liv. 2, cap. 2). ↩︎
  22. p. 696. ↩︎

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