Por J. H. Spencer Historical Society1

Nesta data, [5 de setembro], em 1651, o pregador batista Obadiah Holmes recebeu trinta chicotadas no poste de açoite público em Boston. Seu crime? Pregar o evangelho e realizar um culto batista ilegal na Colônia da Baía de Massachusetts, de dominação Puritana.

No domingo, 20 de julho de 1651, os batistas John Clarke, John Crandall e Obadiah Holmes viajaram da Igreja Batista de Newport, Rhode Island, para Lynn, Massachusetts, onde realizaram um pequeno culto batista na casa de William Witter. No meio do culto, as autoridades invadiram o local e os prenderam por

“seduzir e desviar outros após seu julgamento e práticas errôneos”.

Sob a lei puritana, era ilegal para os batistas pregar ou realizar cultos religiosos.

Sobre esses batistas, foi dito:

“Vocês afirmaram que nunca rebatizaram ninguém, mas reconheceram que batizaram aqueles que já haviam sido batizados antes, negando assim, necessariamente, que o batismo administrado anteriormente fosse um batismo de fato, que as igrejas fossem igrejas, bem como outras ordenanças e ministros, como se tudo fosse uma nulidade; e também negaram a legalidade do batismo de crianças.”

Os três homens foram multados e, se suas multas não fossem pagas, seriam açoitados publicamente. Alguém pagou a multa de Clarke e Crandall, mas Holmes recusou-se a permitir que fizessem o mesmo por ele. Ele considerava o pagamento da multa uma admissão de culpa. Assim, em 5 de setembro de 1651, ele recebeu trinta chicotadas com um chicote de três cordas.

Depois disso, Holmes disse celebremente aos magistrados:

“Vós me tens batido como se fosse com rosas”.

Dois homens, John Hazel e John Spur, correram para ajudar Holmes. Ambos foram presos e multados por oferecerem assistência ao pregador batista! Obadiah Holmes foi tão espancado que, por semanas, foi forçado a dormir apoiado sobre os cotovelos e joelhos. Ele carregaria as cicatrizes da perseguição religiosa pelo resto da vida.

John Clarke registraria essa história em seu livro “Ill News from New England” (Más Notícias da Nova Inglaterra). Clarke navegou para a Inglaterra, onde acabou conseguindo convencer o rei Charles II a permitir a liberdade religiosa na jovem colônia de Rhode Island.

Obadiah Holmes continuou a servir como o segundo pastor da Igreja Batista de Newport por 30 anos. Obadiah e sua esposa Catherine mais tarde tiveram dez filhos. Entre seus descendentes está Abraham Lincoln.

Após anos de serviço fiel, Obadiah Holmes morreu em 15 de outubro de 1682. Que sua história esquecida seja redescoberta por uma nova geração de batistas.

“Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente.” (1 Pedro 2:19)

Traduzido em Português por Ícaro Alencar de Oliveira. Rio Branco, Acre – 8 de setembro de 2026.

  1. Nota do Tradutor: Para uma Biografia mais detalhada sobre Obadiah Holmes, leia: “Obadiah Holmes, o mártir Batista”, publicado por Memória dos Batistas. Disponível em: <https://www.igrejabatista.net/blog/obadiah-holmes-o-martir-batista> ↩︎

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