Por Ícaro Alencar de Oliveira

Nota introdutória: Neste ano de 2026, o Cantor Cristão celebra o seu 135º aniversário e diante de uma realidade em que cada vez menos igrejas e crentes batistas continuam cantando os hinos do nosso Cantor Cristão, senti a necessidade de escrever brevemente as razões pelas quais eu considero que nossa denominação Batista ainda precisa do Cantor Cristão. Este artigo é apenas o primeiro de uma série de outros artigos que o Herança Batista publicará ao público batista, para que o assunto seja tratado em nossas igrejas locais e que continuemos a cantar estes hinos até que Ele venha. Quer fazer parte dessa celebração dos 135 anos do Cantor Cristão? Publique uma foto ou vídeo seu e de sua igreja, usando a hashtag #CantorCristão135Anos e vamos compartilhar na página Herança Batista. Compartilhe o nosso amado hinário fazendo parte de nossa vida denominacional.

MOTIVO I

O Cantor Cristão, hinário das Igrejas Batistas do Brasil, é o 2º hinário mais antigo e foi publicado entre julho e agosto de 1891 em Recife-PE, por Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927). sua 1ª edição continha apenas 16 hinos e o primeiro hino traduzido foi “168 – Chuva de bênçãos”, quando S. L. Ginsburg ainda era missionário Congregacional.

Salomão Luiz Ginsburg, pioneiro batista e o criador do Cantor Cristão.

A ideia de “hinários” (coleção de hinos religiosos para uso no culto para o canto congregacional) foi inspirada no livro dos SALMOS, o “hinário” do povo hebreu. Portanto, ainda precisamos do Cantor Cristão por causa da sua relevância histórica para os Batistas e seu fundamento bíblico enquanto a ideia de um hinário.

MOTIVO II

O Cantor Cristão é uma coleção de hinos que foram trazidos em um contexto missional e de plantação de igrejas; seus autores, tradutores e revisores estavam buscando responder às necessidades do culto a Deus em situações de pessoas de todas as classes sociais e de instrução que deveriam se unir para o louvor a Deus.

Os cânticos que compõem o Cantor Cristão são melodias de fácil memorização, que estimulam e educam musicalmente a igreja; além disso, os cânticos que possuem estribilho (o famoso “côro”, que é aquela parte da música que se repete após as estrofes) facilitam o acompanhamento e a participação da igreja no louvor, numa abordagem “stamp” (carimbo), semelhante ao papel educativo que as canções infantis com suas repetições fáceis, desempenham.

Portanto, o Cantor Cristão é necessário pois estimula o canto congregacional e a participação igual de todos os membros da igreja local e não apenas o conjunto musical ou os mais jovens; é necessário resgatar a compreensão bíblica da adoração, de que a reunião cristã consiste na Congregação ativamente se apresentando a Deus para Seu louvor, e não passivamente assistindo a uma apresentação musical, que é a atual transformação pela qual nossas igrejas locais passam em relação aos momentos de cântico congregacional.

MOTIVO III

O gérmen da revolução cultural e sexual da década de 1960 teve seu nascedouro no século XIX. O relativismo e o desconstrucionismo produziram efeitos cada vez mais devastadores e profundos no homem ocidental. O contínuo sepultamento do Cantor Cristão, que se torna cada vez mais “antiquado” para os modernos Batistas são reflexo desse processo de transformação porque passou a indústria fonográfica cristã evangélica e a transformação que essa indústria musical produz às nossas igrejas locais.

Se o Cantor Cristão nasceu nas entranhas do povo Batista brasileiro em resposta às suas necessidades eclesiásticas, uma parte considerável da música cristã contemporânea nasce das demandas do mercado fonográfico, não poucas vezes por razões e contextos empresariais e de marketing. O Cantor Cristão abre uma janela para o passado, entregando uma mensagem objetiva à mente, e celebrando a comunidade cristã. A música cristã contemporânea enterra o passado, entrega uma mera experiência sensorial que resulta numa mensagem subjetiva, celebrando apenas as experiências particulares e individuais em detrimento da beleza da vida em comunidade, na igreja local.

Celebremos os 135 anos do Cantor Cristão e que haja em nosso meio um novo fôlego ao nosso amado hinário.

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